
Não, eu não vou falar do filme do Chaplin. Apesar que não é má idéia.
O mundo mudou. Fato.
Não vivemos mais o romantismo dos anos vinte e trinta…, a magia da década de quarenta. Não. Não temos mais a rebeldia das décadas de cinqüenta e sessenta (ah o verão de 68… – nem coçava no saco do meu pai ainda, mas ouvi maravilhas deste verão específico, principalmente na frança). Não se vê mais a vadiagem malandra dos setenta, a vontade política dos oitenta. Não. Os noventa já não tiveram identidade, e os dois mil estão piores.
As gerações são cada vez mais rápidas. Dizem os entendidos que a cada cinco anos, temos uma nova geração. Antigamente, gerações eram de doze anos. Vejam bem, de três copas (ou olimpíadas), passamos pra praticamente uma.
Assim, os jovens não criam identidades. Tornam-se mais um na multidão, de mais uma geração.
Videogames são um bom parâmetro. Enquanto a minha geração passou por atari, máster system, mega drive, ness, super ness, sega saturno, até chegarmos (já adultos) ao play1. Eles? Uns nasceram na era do play1, outros na do play2 e os do play3 nem ouviram falar do play1 (não sabe o que é play? Bah, ta por fora).
Outra diferença notável é a escola. Colégio como dizemos aqui na aldeia.
Lembro de uma vez em que tive que fazer um trabalho escolar sobre as grandes navegações. Saí da escola, passei num Bazar, comprei uma cartolina (ainda existe cartolina?), pincel atômico (eu adorava, porque era atômico!!), folhas pautadas (isso eu tenho certeza que não existe mais), e outros adereços.
Cheguei em casa, peguei minha Larousse (não conhece Larousse? Bah, ta loco) e comecei a procurar. Passei pelos dinossauros (nunca gostei), pelo Império Romano (sou doentememnte fissurado pelo Império Romano – quando consegui sair desse capítulo, já era quase três da tarde) e outros assuntos menos votados.
Cheguei nas grandes navegações. Li, reli. Fiz um rascunho no meu caderno. Passei a limpo nas folhas pautadas. Deu ficou tri. Fiz uma capa, com folha não pautada, e o pincel atômico. Essa não ficou tri. Nunca fui bom em artes.
Imaginem o cartaz então. Podre. Meio torto. Colei umas figuras (não, eu não cortei a enciclopédia. Eu também tinha revistas em casa), escrevi umas palavras (tortas) e por ai foi.
No outro dia, colei (com durex) no quadro o meu cartaz (verde, com letras em vermelho, e uma figura descolando) e apresentei o meu trabalho.
Isso marcou minha vida. Tanto que hoje, uns treze anos depois, ainda me lembro.
Hoje? Minha irmã menor teve que fazer um trabalho sobre o dia do trabalho.
Ela entrou no Google, escreveu dia do trabalho. ControlC+ControlV. Power Point, pen drive.
15 minutos e o trabalho dela ficou pronto. Ela nunca mais vai lembrar disso.
Quer outro exemplo da mudança?
Os relacionamentos. Uma mulher queria um anel de compromisso. Hoje, ela quer que o cara coloque “namorando” no orkut.
Isso é melhor ou pior? Sei lá meu, não to aqui pra julgar. Mas que ta diferente, ah, isso ta.
E tu, o que acha? Pode comentar. Não paga. É free.